Custo de Distribuição, Parcela B, TUSD Fio B…O que é?
Como afeta as tarifas?
Neste Tradução Tarifária a Volt apresenta uma discussão sobre os custos de distribuição, com conceitos e análises sobre o histórico e as perspectivas.
11/10/2023
O custo referente à parcela de Distribuição, ou seja, que se refere à operação e manutenção das distribuidoras de energia elétrica, é um importante componente da tarifa e representa, em média, 23% dela, quando considerada a tarifa final com impostos. Apenas na comparação entre os componentes de custos da tarifa (Geração, Transmissão, Distribuição e Encargos), ela representa cerca de 27%, ou seja, quase 1/3 do custo total.
Regulatoriamente, esse custo é chamado de Parcela B. Todos os demais custos da tarifa são chamados de Parcela A.
A diferença entre essas duas parcelas está na gestão da distribuidora sobre os custos. Enquanto a “Parcela B” é de sua total gestão, a “Parcela A” inclui custos que, em grande medida, não estão sob controle da distribuidora. Assim, são chamados de “não gerenciáveis” e sendo, dessa forma, repassados diretamente às tarifas.
A figura abaixo ilustra essa clássica divisão:
O custo de Distribuição ou Parcela B, envolve a soma de custos operacionais: pessoal, materiais, serviços de terceiros e administração, e da remuneração dos investimentos realizados pela distribuidora, que englobas as parcelas de remuneração e depreciação dos ativos em operação.
Ao transformar a receita em tarifa, temos a chamada “TUSD Fio B”, que é a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição, especificamente da Parcela B.
Antes de falar sobre a evolução desse custo, é importante destacar que essa parcela é fortemente regulada, sendo o objeto das revisões tarifárias periódicas promovidas pela ANEEL.
Se observarmos a Tarifa “TUSD Fio B” de todas as distribuidoras acompanhadas pelo POVAT, temos o comportamento ilustrado na figura abaixo.
Como se observa, na média geral, a tarifa acompanha a inflação (IPCA), mas há grandes discrepâncias entre as diversas regiões. A Enel SP, por exemplo, teve sua tarifa multiplica por 3,6 nesse período, pois tinha uma tarifa muito baixa em 2013. Já a Enel RJ teve uma das menores evoluções, porém já partiu de uma tarifa elevada.
Ao atualizarmos cada contrato de acordo com o seu índice de inflação, obtém-se o gráfico abaixo, em que se verifica que a tarifa média em 2022 estava em torno de R$ 234,80/MWh, frente aos R$ 260,90/MWh em 2013.
Os gráficos anteriores revelam uma questão que mostra a importância de se observar de perto o custo de distribuição.
Embora na média e em termos reais, o custo tenha se mantido constante ou até reduzido, dependendo do horizonte de tempo em que é analisado, seu comportamento é muito diverso de uma concessão para outra.
A média de redução, no período entre 2013 e 2022, foi de 7%, porém com casos chegando a quase 40% e, por outro lado, aumentos de até 55%!!
É verdade que a maioria das regiões apresentou redução, mas locais como São Paulo, Pará, Mato Grosso e Tocantins tiveram aumento nesse período. Já tratamos de alguns casos no Tradução Tarifária nº 03 e nos Plantões Tarifários nº 01 e 03.
Também é importante observar a participação da TUSD Fio B na tarifa final, pois assim, quanto maior essa participação, mais impacto terão as alterações decorrentes de revisões tarifárias.
A Volt levantou essas informações e apresenta, na figura ao lado, o quanto a Parcela B representa na tarifa total de um consumidor residencial (B1).
A Parcela B tem suas revisões realizadas pela ANEEL em datas específicas, de acordo com cada contrato de concessão; normalmente ocorre a cada 4 ou 5 anos.
É nesse momento que a tarifa pode se alterar significativamente, tanto para mais, quanto para menos. Por exemplo, na revisão da Enel SP deste ano, a parcela B reduziu 11,4%. Já para o Piauí, o valor que está em consulta pública apresenta um aumento de 21,5% para a Parcela B!
Essas diferenças ocorrem por vários motivos, mas um em especial decorre do fato de a Parcela B ser um custo arcado pelos consumidores locais. Isso faz com que questões como densidade de carga ou de consumidores e necessidade de investimentos possam afetar muito a tarifa de “Fio B”.
Áreas com muitos consumidores e baixos investimentos tendem a ter tarifas baixas. Por outro lado, áreas pouco densas apresentam tarifas mais altas.
Entre as revisões tarifárias, a Parcela B é apenas reajustada pelo índice de inflação do respectivo contrato (IPCA ou IGP-M) deduzido de um “Fator X” que é um índice de produtividade definido na última revisão tarifária. Ele pode ser positivo ou negativo e, portanto, contribuir para reduzir ou aumentar o reajuste.
Dessa forma, é no momento da revisão tarifária que se deve observar com atenção o movimento da Parcela B, quando os custos de distribuição serão reavaliados.
Em 2023, já foram realizadas diversas revisões tarifárias, sendo que, no total, estão programadas 22 revisões. Assim, em decorrência disso, nos próximos 2 anos teremos poucas revisões.
No entanto, entre 2025 e 2031, deve ocorrer a prorrogação das concessões de 20 distribuidoras, que representam cerca de 60% do mercado de distribuição do país.
As condições dos novos contratos poderão afetar a evolução futura da Parcela B dessas distribuidoras, a depender do índice de atualização a ser utilizado, e das condições a serem exigidas para que a prorrogação seja levada a efeito.
Traduzindo...
O custo de distribuição é uma parcela bastante relevante da tarifa final, compondo a TUSD Fio B.
Por representar em torno de 1/3 da tarifa final, esse custo deve ser acompanhado de perto, especialmente nos momentos de revisão tarifária, quando podem haver variações significativas.
Essas alterações podem ser negativas em um lugar e positivas em outro, dependendo da realidade de cada concessão.
A Volt acompanha de perto todos os movimentos de revisão tarifária para manter você atualizado(a). Caso ainda tenha alguma dúvida, entre em contato com a gente; teremos prazer em falar contigo!
Um grande abraço e até o próximo Tradução Tarifária da Volt Robotics.
tarifa@voltrobotics.com.br